Oncosexologia

Os direitos sexuais protegem os direitos de todas as pessoas a expressar sua sexualidade e desfrutar de saúde sexual, com o devido respeito pelos direitos dos outros e dentro de uma estrutura de proteção contra a discriminação segundo a OMS (OMS, 2006a, atualizada 2010)
Os problemas com a sexualidade da mulher com câncer de mama são causados principalmente pela insegurança em relação a como o parceiro irá reagir ao corpo mastectomizado — cirurgia de retirada da mama. E o psicológico acaba afetando a qualidade da atividade na cama.
— Os seios são uma das representações de feminilidade da mulher, da sua sexualidade. É de se supor, portanto, que o câncer de mama expressa uma possível perda de contato consigo mesma, tocando profundamente sua estrutura emocional e física.

Mesmo que já tenha sido provado que o apoio é fundamental para a mulher com câncer de mama, o abandono não é raro.
Enquanto o termo “oncosexology” (oncosexologia, em tradução livre) já é debatido nos Estados Unidos e trata a sexualidade dos pacientes com câncer, no Brasil a pauta é negligenciada na formação profissional. Uma possível justificativa é a vergonha, porque nem todo mundo tem a sexualidade bem resolvida, e o sexo é uma construção sociológica. Também há uma questão de gênero: com uma obrigação social de a mulher servir o marido e, com isso, ter dificuldade de ressignificar o sexo.

Orientações para melhorar a relação sexual

1) Ajuda psicológica
— Procure um psicólogo para acelerar o processo de adaptação em relação ao novo corpo;
— A presença do companheiro pode ser importante nessa etapa.
2) Atividades físicas
— Movimentar o corpo nesse período pode ajudar a melhorar o desempenho sexual.
3) Lubrificante
— Use lubrificantes apenas à base de água durante a quimioterapia e radioterapia;
— Depois, durante o tratamento hormonal, peça para o seu médico receitar algum medicamento que contenha outras substâncias que possam potencializar os efeitos;
— Utilize o aplicador nos dois casos, porque a lubrificação deve chegar até o canal vaginal para que você não sinta dor, e não apenas na vagina. Em pacientes de câncer de colo de útero, isso é ainda mais importante, porque pode acontecer a estenose (estreitamento do canal vaginal).
4)Imaginação
— É comum perder a libido (vontade de fazer sexo) durante o tratamento do câncer, por isso invista no poder da sua mente.
5) Acessórios
— A autoestima é outro problema enfrentado pela mulher com câncer que deseja manter-se sexualmente ativa. Por que não apostar em uma lingerie especial para se sentir mais atraente? O lenço para cobrir a carequinha pode ser outra opção.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) diz que o sexo é um dos quatro pilares da qualidade de vida. A abordagem desse tema no tratamento de câncer no Brasil ainda não é uma realidade, mas vem ganhando força. O sexo é importante para o paciente com câncer na mesma magnitude que é para o paciente sem câncer. E os problemas sexuais são geralmente negligenciados a menos que o paciente seja assertivo em uma situação de crise.
Primeiro passo, os médicos devem discutir o atual nível de atividade sexual do paciente antes de iniciar o tratamento. A consciência de problemas potenciais irá ajudar o paciente a adaptar-se às dificuldades do pós-tratamento. A discussão pré-tratamento sobre sexualidade fornece uma base para comparação durante reavaliação após tratamento. Quando são identificados problemas específicos, os médicos podem programar com sucesso intervenções que não exigem treinamento extensivo em terapia sexual.
São centenas os tipos de neoplasias e a vida sexual não é alterada em todos os tipos de câncer. Depende da natureza biológica, localização, história natural da doença, tratamento necessário. É fundamental a avaliação individualizada de cada caso. No entanto, em dois tipos muito frequentes – o câncer de mama e o de próstata – o paciente, em alguma etapa do tratamento, seja ele cirúrgico ou sistêmico (quimioterapia ou hormonioterapia), passará por modificações orgânicas que vão influenciar o desempenho sexual.

Não podemos esquecer que a questão emocional que quase sempre o diagnóstico vem acompanhado do conflito, a sensação de reviravolta da vida. Inicialmente, o impacto do diagnóstico pode influenciar a libido e eventualmente a disposição sexual desse indivíduo. Na sequência, temos as consequências que resultam do tratamento, que são as mudanças de caráter físico. A pessoa pode sentir mais cansaço, mais fadiga, sentir dores por conta da quimioterapia, passar por períodos de muito enjoo, de queda na resistência e ficar mais debilitada na busca para exercer a sexualidade. É preciso criar mecanismos de fortalecimento emocional e vínculos afetivos para que o paciente possa exercer a sexualidade adaptada à sua condição atual.

 

Por muito tempo a vida depois do tratamento do câncer foi deixada de lado por médicos e pacientes. Mas hoje, já é padrão no tratamento do câncer lançar mão de terapias complementares para amenizar efeitos colaterais como náusea e anemia e é o que se espera que aconteça também com a saúde sexual dos pacientes. “O tratamento precisa ser multidisciplinar não só para o tumor, mas para o doente. Se algum médico ainda não pensa assim, tem que começar a pensar. E se o paciente não toca no assunto, muitas vezes por inibição, é papel do especialista levantar esse tema nas consultas.

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