Pedofilia

A pedofilia na nova definição da DSM-5 (5ª versão do Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM), publicado pela American Psychiatric Association -APA), é categorizada através da diferenciação entre a preferência sexual por crianças pré-púberes (isto é, pedofilia) e a desordem em caso de fatores adicionais. Esses fatores incluem sofrimento e prejuízo significativo por fantasias ou atitudes no nível comportamental, incluindo o consumo de pornografia infantil e/ou cometer crimes de abuso sexual infantil. A pedofilia pode ser explicada por alterações neurobiológicas e de desenvolvimento.

A prevalência da pedofilia é de 1% na população geral, mas, se forem incluídas fantasias sexuais de cunho pedófilo, a estimativa atinge até 5% da população masculina. É necessário distinguir entre o tipo exclusivo de pedofilia e o tipo não-exclusivo, em função de haver atração também por adultos.

Do ponto de vista clínico, é necessário ressaltar que existem homens pedófilos que restringem o seu desejo de contato sexual com crianças a apenas fantasias, e outros homens que estão em risco de cometer um crime, pois fantasiar sozinho não satisfaz seu desejo sexual. Ainda existe o outro grupo de homens pedófilos inclui aqueles que cometeram crimes sexuais contra crianças. Esses indivíduos podem sentir remorso e procurar ajuda para evitar uma recaída, enquanto outros não. Ah e devemos deixar bem claro que existem mulheres pedofilas. Assuntos como pedofilia e abuso sexual envolvem um tabu tão grande que pouco se imagina que as mulheres sejam portadoras dessa doença e que também cometam estupro. Assim como os presídios masculinos têm alas reservadas para estupradores, chamadas “seguro”, os femininos também possuem e elas estão ocupadas.

O que acontece é que, em geral, as mulheres são denunciadas com menor frequência. Alguns motivos explicam essa subnotificação, como a ausência de penetração durante o abuso, a cultura machista que vê como algo normal as relações precoces entre meninos e mulheres mais velhas, ou o receio da família de denunciar e transformar o fato em um trauma maior que interfira na sexualidade dos garotos.

Toque, beijo, carícia e ato libidinoso envolvendo crianças são consideradas práticas criminais tipificadas no Código Penal, e, assim como o estupro, precisam ser denunciados e noticiados à polícia.
O diagnóstico da pedofilia é difícil e o tratamento, longo.
Se diagnosticada com a doença, essa pessoa precisa receber atendimento além da pena de prisão.
Segundo dados do Disque 100, dos casos de abuso sexual registrados entre janeiro de 2012 e março de 2014, 60% não foram cometidos por parentes da vítima.  Geralmente as mulheres não procuram crianças do seu círculo familiar como vítimas

Conclusões terminativas sobre o tema da pedofilia são difíceis. Entretanto, parece não haver dúvida de que pedófilos representam um grande risco para a criança, para a família, para a sociedade e para a justiça, uma vez que é tormentoso encontrar o equilíbrio entre castigo justo, segurança social e reabilitação. Direito e psicologia precisam urgentemente dar as mãos, se não quiserem oferecer uma leitura simplista e unilateral para um fenômeno tão complexo como o da pedofilia. A educação sexual de forma ética e clara é uma forma de defender nossas crianças dessas pessoas.

Mônica Lima – Psicóloga CRP:09/6660

Deixe uma resposta

<